Utilidade Pública - Sou Leblon

Avenida Afrânio de Melo Franco

Afrânio de Melo Franco nasceu em Paracatu (MG), em 1870, membro de uma família com grande tradição na política mineira. Advogado, iniciou sua carreira diplomática em 1896, quando foi nomeado secretário da legação brasileira em Montevidéu. No ano seguinte, foi designado para cumprir funções diplomáticas na Bélgica, voltando ao Brasil em 1898. Iniciou sua carreira política em 1902, elegendo-se deputado estadual pelo Partido Republicano Mineiro (PRM).

Em 1906, chegou à Câmara Federal, onde permaneceu até 1918, sendo reeleito sucessivas vezes. Em setembro desse ano, foi nomeado secretário de Finanças do Estado de Minas Gerais. Meses depois, passou a ocupar o Ministério da Viação no curto período em que Delfim Moreira esteve à frente do governo federal.

Com Delfim Moreira enfrentando sérios problemas de saúde, Afrânio desempenhou papel central em seu governo, sendo, na época, chamado de “primeiro-ministro”. Deixou o cargo quando Epitácio Pessoa tomou posse, em julho de 1919.

Em 1920, voltou à Câmara, onde exerceu o posto de líder do PRM. Em 1924, foi designado embaixador do Brasil na Liga das Nações. De volta ao Brasil, voltou a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, novamente liderando a bancada do PRM. Presidiu a Comissão de Constituição e Justiça.

Ao aproximarem-se as eleições presidenciais de 1930, o presidente Washington Luís apontou para sucedê-lo o nome de um outro paulista, o governador Júlio Prestes, contrariando assim o acordo tácito firmado com Minas Gerais, que garantia a alternância dos dois estados no comando do governo federal. Coube, então, a Afrânio de Melo Franco fazer as primeiras sondagens junto aos grupos dirigentes do Rio Grande do Sul com vistas à articulação de uma candidatura oposicionista liderada por um gaúcho. Formou-se a partir daí a Aliança Liberal, coligação que reunia os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, mais as oposições dos demais estados, em torno do nome de Getúlio Vargas como candidato à Presidência. Afrânio integrou a comissão executiva da Aliança Liberal e teve papel de destaque na coordenação da campanha eleitoral, que foi bastante acirrada.

Realizado o pleito em março de 1930, avitória, porém, coube à chapa situacionista. Alegando a ocorrência de fraudes, os membros mais exaltados da Aliança, que incluíam políticos mais jovens e muitos dos antigos “tenentes” que haviam lutado contra o governo federal na década anterior, passaram a articular um movimento para depor Washington Luís pelas armas. Nessa fase da luta, porém, Afrânio teve uma participação bastante modesta, ao contrário de seu filho, Virgílio de Melo Franco, que esteve entre os mais destacados conspiradores.

Quando o movimento foi deflagrado, em outubro, Afrânio encontrava-se no Rio de Janeiro. Com medo de ser preso, pediu asilo na Embaixada do Peru, onde permaneceu até que Washington Luís fosse afastado por um golpe militar, que colocou no poder uma junta governativa composta por oficiais graduados das Forças Armadas. Afrânio foi, então, designado para ocupar o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), acumulando ainda a pasta da Justiça. Ao ser empossado dias depois na Presidência, Vargas confirmou o seu nome como ministro das Relações Exteriores.

No Itamaraty, Afrânio teve relativa autonomia para desempenhar suas funções, já que as atenções de Vargas estavam inteiramente voltadas para a política interna do país. Desempenhou, então, importante papel na mediação dos conflitos do Chaco, que opunha a Bolívia e o Paraguai, e do Porto de Letícia, disputado pelo Peru e pela Colômbia. Por conta de sua atuação nas negociações referentes a esses conflitos, teria seu nome indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em 1935, não obtendo, contudo, a premiação.

Em 1932, fez oposição à Revolução Constitucionalista deflagradaem São Paulocontra o governo federal. Em setembro desse mesmo ano, quando o conflito ainda se arrastava, passou a acumular interinamente a pasta da Justiça, até o mês de novembro. Em seguida, presidiu a comissão nomeada por Vargas com a finalidade de elaborar o anteprojeto da futura Constituição do país. A comissão se reuniu entre novembro de 1932 e maio de 1933.

Em dezembro de 1933, deixou o Itamaraty em protesto contra o fato de seu filho Virgílio ter sido preterido por Vargas na escolha do interventor federalem Minas Gerais, após a morte de Olegário Maciel. Em outubro de 1934, elegeu-se deputado estadual constituinteem Minas Gerais, participando, a partir de maio do ano seguinte, da elaboração da nova Constituição daquele estado. Nos anos seguintes, desempenhou funções diplomáticas, representandoo Brasilem importantes conferências internacionais até o início da década de 1940, já iniciada a Segunda Guerra Mundial. Deixou raros trabalhos escritos. Entre eles, sobressaem-se: “Minorias étnicas”, “O apóstolo das selvas mineiras”, e “Um estudo sobre Cláudio Manoel da Costa”. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1943.

Avenida Ataulfo de Paiva

Ataulfo Nápoles de Paiva, advogado, magistrado e orador, nasceuem São João Marcos, no Rio de Janeiro, em 1º de fevereiro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 8 de maio de 1955. Eleito em 9 de dezembro de 1916 para a Cadeira 25, na sucessão de Artur Orlando na ABL, foi recebido em 23 de maio de 1918 pelo acadêmico Medeiros e Albuquerque.

Ocupou os cargos de pretor, juiz do Tribunal Civil e Criminal e presidente da Corte de Apelação do então Distrito Federal. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal, presidiu o Conselho Nacional do Trabalho e representouo Brasilnos Congressos Internacionais de Assistência Pública e Privada de Paris e Milão. Fez campanha pela sistematização das assistências pública e privada e sua aliança, sob a inspeção do Estado, encarregado oficialmente de levantar a história e a estatística da assistência no Distrito Federal. Fundou a Liga Brasileira contra a Tuberculose, da qual foi presidente perpétuo, e que mais tarde foi denominada Fundação Ataulfo de Paiva. Criou o Preventório D. Amélia, na Ilha de Paquetá, o primeiro do gênero no Brasil, e o serviço de Vacinação Antituberculose BCG.

Obras: “O Brasilno Congresso Internacional de Direito”; “Comparado de Paris (1900)”; “Justiça e assistência: Os novos horizontes” (1916); “Discursos na Academia” (1944); “Assistência pública e privada no Rio de Janeiro”; “Os loucos criminosos e os criminosos loucos; Discurso no centenário do Barão de Loreto”.

Avenida Bartolomeu Mitre

Bartolomeu Mitre foi presidente da Argentina entre 1862 e 1868 e comandante em chefe das Forças da Tríplice Aliança, durante a Guerra do Paraguai. Sua vida política começou por meio das críticas que fazia como articulista de jornal ao então presidente Juan Manuel Rosas (1835-1852). Exilado, Mitre voltou ao seu país anos depois, com o sucesso da revolta de Justo José Urquiza (contando com o apoio do Uruguai e do Brasil) contra Rosas. No entanto, logo Mitre e Urquiza trilharam caminhos diferentes. Já em 1859, Mitre comandou uma revolta contra o seu antigo protetor, da qual Urquiza saiu vitorioso na batalha de Cepeda. Dois anos depois, Mitre bate as tropas do então presidente argentino na célebre batalha de Pavón.

Bartolomeu Mitre assumiu o comando dos exércitos aliados no início da guerra contra o Paraguai. Isso lhe causou problemas. Oficiais brasileiros nunca aceitaram passivamente seu comando. Somente com a intervenção do imperador- que obrigou seus oficiais a observarem o texto do tratado da aliança, que estipulava que o comando das operações seria do mandatário do país onde as hostilidades contra o Exército de López tivessem começado- é que Mitre teve alguma autoridade sobre os oficiais dos países aliados.

Depois de Curupaity, contudo, Mitre se afastou do campo de batalha contra López para resolver problemas internos de seu país. Sua presença no Paraguai se tornou rara após setembro de 1866 até sua derrota na campanha eleitoral de 1868 para Domingo Faustino Sarmiento, adepto de uma menor participação argentina no conflito. Mitre, então, retornou à vida jornalística, ajudando a fundar o jornal “La Nación”, em 1870. Em 1891, tentou mais uma vez se eleger presidente da Argentina, mas o novo fracasso o levou a desistir de concorrer a cargos eletivos. Morreu em 1906,em Buenos Aires.

Avenida Delfim Moreira

Delfim Moreira da Costa Ribeiro, advogado, nascido na cidade de Cristina, Estado de Minas Gerais, em 7 de novembro de 1868, estudou Humanidades no Seminário de Mariana e direitoem São Paulo. Foideputado estadual, deputado federal e secretário do Interior do Estado de Minas Gerais em duas oportunidades (1902-1906 e 1910-1914), além de governador de Minas Gerais (1914-1918).

Elegeu-se vice-presidente da República, em 1918, na chapa de Rodrigues Alves. Com a doença e posterior falecimento do presidente eleito, que não chegou a ser empossado, Delfim Moreira assumiu interinamente a Presidência da República, visto que a Constituição brasileira previa novas eleições em caso de impedimento do presidente antes de completados dois anos de mandato.

O próprio Delfim Moreira também não dispunha de boas condições de saúde e seu curto mandato ficou conhecido como “regência republicana”, uma vez que se destacava no governo o seu ministro da Viação e Obras Públicas,  Afrânio de Melo Franco. Faleceu na cidade de Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, em 1º de julho de 1920.

Avenida General San Martín

O militar e político argentino nasceu em 25 de fevereiro de 1778 na província de Corrientes. Em 1786 vai para a Espanha com seus pais, ingressando no Seminário dos Nobres de Madri. Em 1789 abraça a carreira militar no regimento de Murcia, na campanha da África. Em 1797 é promovido a subtenente pelas suas ações contra os franceses nos Pirineus.

Serve no Exército espanhol por 22 anos e chega a lutar contra as forças de Napoleão. Em 1811, deixa o Exército e vai para Londres, onde encontra revolucionários da América espanhola. No ano seguinte, volta para a capital da Argentina, ao saber da existência de movimentos pró-independência isolados e coloca-se a serviço dos revolucionários. Seus laços com o país aumentam quando se casa, em setembro de 1812, com a argentina Maria de los Remedios Escalada, com quem tem uma filha. Organiza e chefia a luta contra as tropas espanholas, da qual sai vitorioso em 1816. Dedica-se, então, a libertar as nações vizinhas.

Com um pequeno exército, cruza os Andes para ajudar na campanha pela independência do Chile, colaborando com o líder Bernardo O´Higgins. Em 1820 chega por mar ao Peru, acompanhado detropas cedidas por O’Higgins. Toma Lima e declara a independência do país em 28 de julho de 1821. Contudo, os espanhóis ainda resistiam no interior e o processo só se consolidou quando Simón Bolívar vem em sua ajuda. Depois da vitória, os dois se desentendem em relação à forma de governo que deve ser instalada. Em 1822, San Martín abandona a política e se exila na Bélgica e depois na França, onde morre em 17 de agosto de 1850.

Rua Humberto de Campos

(Antiga Rua José Ludolf)

Humberto de Campos nasceu na pequena localidade de Piritiba, no Maranhão, em 1886. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade e sua infância foi marcada pela miséria.
Tempos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde se tornou famoso. Brilhante jornalista e cronista, ele escreveu para todos os jornais importantes do país.

Dedicou-se inteiramente à arte de escrever e por isso eram parcos os seus recursos financeiros. A certa altura da sua vida, quando as economias eram poucas, teve a ideia de mudar de estilo.  Adotando o pseudônimo de Conselheiro XX, escreveu uma crônica irônica a respeito da figura eminente da época, Medeiros e Albuquerque, que se tornou assim motivo de chacota dos cariocas por vários dias.

O sucesso foi total. Seus leitores se multiplicaram, chovendo cartas às redações dos jornais com solicitações de novas matérias do Conselheiro XX. Ele não só manteve o estilo da primeira crônicao, como foi se aprofundando, tornando-se, para alguns, na época, quase imortal, saciando toda uma mentalidade que desejava mais liberdade de expressão.

Quando adoeceu, modificou completamente o seu estilo. Sepultou o Conselheiro XX e criou textos com mais piedade. A alma sofredora do país buscou avidamente Humberto de Campos e dele recebeu consolação e esperança. Eram cartas de dor e desespero que chegavam às suas mãos, pedindo socorro e auxílio. E ele respondia a todas, em crônicas, pelos jornais, atingindo milhares de leitores em circunstâncias idênticas de provações e lágrimas.

Fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e em São Paulo. Seuspadecimentos, contudo, aumentavam dia-a-dia. Mesmo parcialmente cego e submetendo-se a várias cirurgias, morando em pensão, sem o calor da família, continuava escrevendo para consolo de muitos.

A 5 de dezembro de 1934, faleceu. Três meses depois de morto, o jovem médium Chico Xavier, então com 24 anos de idade, começou a escrever mensagens psicografas de Humberto de Campos. Agripino Grieco e outros críticos literários famosos examinaram atenciosamente a produção de Humberto e atestaram a autenticidade do estilo.

Começou, então, uma fase nova para o espiritismo no Brasil. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira ganharam notoriedade. Vários livros foram publicados. Os familiares de Humberto de Campos, no entanto, moveram uma ação judicial contra a FEB, exigindo os direitos autorais do morto. A federação ganhou a causa.

Rua Rainha Guilhermina

(Antiga Rua J. Antônio dos Santos)

Em 1830, os Países Baixos do Sul se separaram e formaram o Estado da Bélgica. Em 1839, Guilherme I aceitou essa separação e no mesmo ano renunciou ao trono. Foi sucedido por Guilherme II. Depois da morte do seu filho, Guilherme III, em 1890, terminou a sucessão ao trono em linha masculina e desapareceu o vínculo pessoal com Luxemburgo, do qual, até aquele momento, o rei neerlandês havia sido grão-duque. Sob a regência de sua mãe, a rainha Emma, chegou ao trono Guilhermina (1880-1962).

Em 1898, ao completar 18 anos de idade, a regência da rainha Emma terminou e Guilhermina assumiu as tarefas monárquicas. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os Países Baixos se mantiveram neutros. Apesar disso, em maio de 1940 as forças alemãs invadiram o país, iniciando-se assim uma ocupação de cinco anos. A rainha Guilhermina se refugiou na Inglaterra, de onde continuou exercendo um papel importante como símbolo da resistência contra o invasor. Em 1948, após um reinado de 50 anos, abdicou em favor da sua filha Juliana. Em 1980, Juliana foi sucedida no trono pela sua filha mais velha, a rainha Beatrix.

Até a Segunda Guerra Mundial, os Países Baixos haviam sido uma grande potência colonial, porém, pouco depois do fim da guerra, as colônias rapidamente se tornaram independentes. Eram elas: Indonésia; Suriname; Antilhas Neerlandesas e Aruba.

Praça Sibelius

Jean Sibelius nasceu na Finlândia em 1865. De origem puramente finlandesa, também recebeu, no entanto, em sua educação, influências suecas. Estudou direito, mas obedeceu cedo à sua vocação musical e completou sua formação na Alemanha e na Áustria.

Tendo obtido sucesso com obras de tendência nacionalista, recebeu em 1897 uma pensão vitalícia do governo finlandês, passando a vida toda em sua quinta de Järvenpää, perto da capital da Finlândia. Sibelius morreu em Järvenpää, perto de Helsinque, a 20 de setembro de 1957.

A fama internacional de Sibelius se baseia principalmente nas suas sinfonias: n.º 3 em dó maior (1907), n.º 4 em lá menor (1911), n.º 5 em mi bemol maior (1915), n.º 6 em ré menor (1923) e n.º 7 em dó maior (1924). São obras de inspiração romântica, embora moldadas nos esquemas clássicos de Beethoven e Brahms, caracterizadas pela severa e a melancólica mentalidade nórdica e por um especial encanto exótico, expressão do espírito nacional finlandês e do seu folclore nacional. Os mesmos elementos caracterizam o concerto para violino em ré menor (1930) e os numerosos lieder de Sibelius.

Na Finlândia, Sibelius foi sempre reconhecido como a máxima expressão artística da nação, que o venerava quase religiosamente. Fora do país, Sibelius tornou-se célebre, pelas suas sinfonias, na Inglaterra e especialmente nos Estados Unidos, ao passo que a sua fama na Europa continental é bem menor.